Doença de Legg-Calvé-Perthes: Entenda sobre essa doença rara
- Leonardo Almeida
- há 3 dias
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Quando uma criança começa a mancar sem ter sofrido nenhum tombo ou trauma aparente, o sinal de alerta dos pais acende imediatamente. Entre as causas que investigamos no consultório de ortopedia pediátrica, uma condição menos conhecida pelo público geral, mas que exige atenção e acompanhamento cuidadoso, é a Doença de Legg-Calvé-Perthes (frequentemente chamada apenas de Doença de Perthes).
Embora o nome seja complexo, entender a condição de forma clara é o primeiro passo para o sucesso do tratamento. Neste artigo, vamos explicar o que acontece no quadril da criança, como identificar os sinais e como funciona a abordagem médica moderna.
O que é a Doença de Perthes?
A Doença de Legg-Calvé-Perthes é uma condição temporária que afeta a articulação do quadril de crianças em crescimento, sendo mais comum entre os 4 e 10 anos de idade, e acometendo mais os meninos do que as meninas.
O problema acontece na cabeça do fêmur (a parte arredondada do osso da coxa que se encaixa no quadril). Por motivos que a ciência ainda não desvendou completamente, ocorre uma interrupção temporária do fluxo sanguíneo para essa região.
Sem o sangue carregar os nutrientes necessários, as células ósseas dessa área acabam morrendo (um processo chamado de necrose avascular). Como consequência, o osso amolece e pode sofrer uma deformidade ou achatamento conforme a criança caminha e descarrega peso na perna.
O ciclo de regeneração do osso
A boa notícia é que o corpo da criança tem uma capacidade incrível de se recuperar. A doença de Perthes é cíclica e passa por quatro fases bem definidas:
Necrose: Onde o fluxo de sangue diminui e as células ósseas começam a sofrer.
Fragmentação: O osso antigo e enfraquecido começa a ser absorvido pelo próprio organismo. Esta é a fase onde a cabeça do fêmur fica mais vulnerável a deformidades.
Reossificação: Novos vasos sanguíneos voltam a crescer na região e um osso novo, inicialmente mole, começa a se formar.
Remodelação: O osso novo se solidifica e termina de se moldar ao formato da articulação.
Esse processo completo de "reconstrução" natural do corpo pode levar de 2 a 5 anos para se concluir.
Como identificar os sintomas?
Os sinais costumam aparecer de forma gradual e sutil. Fique atento se o seu filho apresentar:
Mancar (claudicação): É o sinal mais frequente. O mancar costuma piorar no final do dia ou após atividades físicas, e pode melhorar após o repouso.
Dor leve a moderada: A dor geralmente se localiza no quadril ou na virilha, mas é muito comum que a criança sinta a dor "irradiada" para a região da coxa ou até mesmo do joelho, o que às vezes confunde os pais.
Rigidez e limitação de movimento: A criança começa a ter dificuldade para abrir as pernas (abdução) ou girar a perna afetada para dentro.
Atrofia muscular: Com o tempo e o menor uso da perna devido ao desconforto, a musculatura da coxa afetada pode parecer levemente mais fina que a outra.
Como é feito o tratamento?
O grande objetivo do ortopedista pediátrico durante todo o ciclo da doença é um só: manter a cabeça do fêmur o mais redonda possível e bem encaixada dentro do quadril enquanto o osso se reconstrói. Se o osso cicatrizar com um formato esférico perfeito, a articulação funcionará muito bem no futuro, evitando problemas na vida adulta.
A escolha do tratamento depende da idade da criança e de quanto o osso foi afetado, dividindo-se em:
1. Tratamento Clínico (Conservador)
Para crianças mais novas (geralmente abaixo dos 6 anos) ou com acometimento leve, o foco é proteger a articulação:
Fisioterapia: Essencial para manter a mobilidade do quadril e fortalecer os músculos ao redor.
Repouso relativo e uso de muletas: Em fases de muita dor ou fragmentação óssea, pode ser necessário reduzir o impacto na perna.
Uso de anti-inflamatórios: Apenas sob orientação médica para aliviar as crises de dor e a inflamação local.
2. Tratamento Cirúrgico
Indicado geralmente para crianças acima de 6 ou 7 anos, ou quando os exames mostram que a cabeça do fêmur está correndo o risco de "escorregar" para fora do encaixe ideal. A cirurgia (como as osteotomias) serve para reposicionar os ossos, garantindo que a cabeça do fêmur fique perfeitamente protegida dentro do quadril enquanto se regenera.







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